Vivemos fascinados com aquilo que a tecnologia consegue fazer. Temos máquinas que respondem a perguntas, escrevem textos, criam imagens e encontram soluções em poucos segundos. E, perante tudo isto, é natural perguntarmos até onde poderá chegar a Inteligência Artificial. Mas há outra pergunta que talvez seja ainda mais importante: até onde queremos chegar nós, como pessoas?
O Papa Leão XIV, na encíclica Magnifica Humanitas, convida-nos precisamente a pensar sobre o que significa ser verdadeiramente humano, num mundo em que a tecnologia ocupa cada vez mais espaço nas nossas vidas. E é aqui que entram os santos.
Quando olhamos para a vida dos santos, percebemos que a sua grandeza não estava naquilo que sabiam ou eram capazes de fazer. Muitos tiveram vidas simples, enfrentaram dificuldades e conheceram as mesmas fragilidades que nós. O que fez a diferença foi terem deixado que Deus transformasse a maneira como viviam e se relacionavam com os outros.
No Evangelho das Bem-aventuranças, Jesus não diz que são felizes os mais inteligentes, os mais poderosos ou os mais bem-sucedidos. Fala dos misericordiosos, dos que procuram a paz, dos que têm um coração simples e dos que não ficam indiferentes ao sofrimento.
Talvez seja essa a grande lição para o nosso tempo. Podemos ter acesso a toda a informação do mundo e continuar sem saber escutar quem está ao nosso lado. Podemos comunicar com milhares de pessoas e não encontrar tempo para visitar alguém que está sozinho. E podemos construir máquinas cada vez mais inteligentes sem nos tornarmos necessariamente mais humanos.
A tecnologia pode ajudar-nos muito, mas não pode viver por nós aquilo que dá verdadeiro sentido à vida: o amor que oferecemos, o perdão que somos capazes de dar e a atenção que dedicamos aos outros.
Celebrar Todos os Santos é recordar que a santidade não está assim tão longe de nós. Começa nas escolhas mais simples de cada dia, quando deixamos que Deus nos ensine a viver com mais amor.
E talvez, num mundo que tanto investe em ensinar as máquinas a pensar, valha a pena não esquecer aquilo que nós próprios precisamos de continuar a aprender: amar como Jesus nos amou.
Porque é aí que começa a santidade. E é aí que nos tornamos verdadeiramente humanos.
